Posts com Tag ‘Livros’

 Devo meu amor pela leitura aos romances policiais. Desde pequeno já lia compulsivamente tudo que me caia nas mãos que fosse do gênero. Comecei com uma coleção chamada “Salve-se Quem Puder”, passei por praticamente toda a série “Vagalume”. Na adolescência lia Agatha Christie, Maurice Leblanc, Sidney Sheldon, Morris West, Irwin Shaw, Sir Arthur Conan Doyle… se fosse listar todos, encheria o post inteiro.

Quando fui ficando mais velho resolvi começar a ler os grandes clássicos, e os autores brasileiros. Depois li os sudamericanos, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende, até conhecer a poesia magistral de Pablo Neruda. Depois vieram os romances históricos, a paixão pela história do Brasil, em especial literatura sobre o Regime Militar. Por fim, a faculdade, e os livros sobre comunicação tomaram conta da minha já cheia estante.

A verdade é que a idade me distanciou dos romances policiais. Pois na semana passada vagueava por livrarias sentindo aquele cheiro que traz as melhores lembranças da minha vida. Em Porto Alegre me chamou atenção em uma livraria um livro de capa vermelho intenso, como gotas de sangue. A cor era tão berrante que num instante exitei entre dar uma olhada no volume ou não. Resolvi dar uma olhada, já estava com uma pilha de cinco possíveis compras (das quais a verba só me permitiria levar uma) e dispunha de algum tempo.

“EU MATO”, do italiano Giorgio Faletti não foi lido, foi devorado. Em cinco dias as 534 páginas haviam sido esquadrinhadas freneticamente. A única compra daquele sábado foi uma volta às origens. A trama é elaborada com esmero. São seguidas surpresas que mantêm o leitor em um estado de constante excitação.

E pensar que este é o primeiro livro de Giorgio Faletti...

 

A narrativa se passa em Monte Carlo. Mesmo nunca tendo estado no Principado de Mônaco, era possível ver cada paisagem, sentir o cheiro de cada situação, o calor, a maresia do balneário. Cada instante, cada “cena” é descrito com uma riqueza de detalhes que faz o leitor viajar. Mesmo tendo um bom número de personagens, cada uma delas tem um perfil bem definido.

Sou um, e nenhum. Sou Ninguém.

O assassino tem personalidade. Mais do que isso, tem um intrincada história de vida cujos pedaços vão se agregando ao longo da narrativa. Mesmo as vítimas, seres passageiros no romance policial, têm um rosto, uma história que é contada. São poucos os autores que têm essa deferência com aqueles fadados a serem instrumentos da trama.

Existem heróis? Claro, alguém tinha pegar aquele lunático. Os investigadores, no entanto, são tão humanamente complicados quanto o assassino. O principal deles tem seus próprios esqueletos no armário. Cada noite é uma nova morte. Cada morte, um novo mistério.

Não vou contar a história. O lance é ler. Mas reserve um tempo pra isso, vale a pena. Depois de abrir as páginas de EU MATO, fica difícil parar até que se chegue ao fim. Uma dica. Conhecer a identidade do assassino não é saber o final da história.

Anúncios