Arquivo da categoria ‘Esporte’

Ser um perdedor não é fácil. Aliás, ser um perdedor é muito mais difícil do que ser um vencedor. Não por acaso, as pessoas buscam tanto o sucesso. E é por isso que jamais esquecerei o ano em que cursei a 8ª série. Vejam bem que aos 14 ou 15 anos o desejo de aceitação no meio em que se vive é enorme. Especialmente a aceitação do sexo oposto, já que essa é uma época digamos… de ebulição dos instintos mais primitivos (JEFFERSON, Bob. 2005)

 Cheguei ao João Ribeiro aos 12 anos para cursar a 6ª série. A escola mantinha turmas apenas até a 8ª, de forma que eu ficaria por lá durante três anos. Nos dois primeiros anos minha estratégia com as colegas se resumiu em manter boas notas e ser um bom menino. Não deu certo eu n ão peguei quase ninguém. Assim, mudar de estilo tornou-se necessário quando cheguei ao último ano tendo dado dois míseros beijos em dois anos. O primeiro passo foi começar a usar um desodorante mais forte, um AXE que minha mãe adjetivou como rançoso, já que nessa idade até dormindo eu suava como um cavalo (especialmente dormindo). As iniciativas incluíram amansar a protuberante juba com alguns quilos de gel, usar calças um número maior e, sempre que possível, burlar a regra de ir sempre uniformizado. Foi necessário tirar notas mais baixas, bem como um recuo estratégico no local de sentar na sala de aula.

 Deu certo. Milagrosamente meu tênis passou da categoria xexelento para estiloso. Comecei a receber cartas cheias de coraçõezinhos, as meninas mandavam me prender na festa junina, mandavam recados pelo sistema de som. Entrei para o grupo de teatro e, inexplicavelmente, ganhei o papel principal. Fui um dos fundadores do grêmio da escola e através dele conheci a verdadeira finalidade do movimento estudantil. Depois de seis meses de desdobres infindáveis, beijei a loirinha de olhos azuis depois da aula. Sim, a vida me sorria. E não era um sorriso qualquer. Era um sorriso de dentes brancos e lábios adolescentes. Naquele ano não faltei nenhum dia de aula. Mais do que isso, frequentava o turno inverso.

 Weber, o piloto australiano não o sociólogo alemão, diria “nada mal para quem sempre foi um segundo piloto”. Realmente, eu não podia acreditar. Parece que as pessoas nem notavam aquele monte de espinha ou o físico assemelhado ao de um grilo. O importante não era ser, mas sim, representar ser.

 Mas, Nietzsche já dizia que ninguém pode fugir de tornar-se quem realmente é. E o ocaso do meu glorioso ano veio no final, com o campeonato inter-séries. Para começar, na minha turma não tinha gente suficiente disposta a jogar. Fui então convidado a jogar por outra, em um claro desvio das regras propostas. Eu não tinha bola para ser reforço de equipe alguma. Muito menos para virar o atacante titular, nem ganhar a camisa 10. Não lembro quais foram os fatores que montaram esse cenário, só me recordo de estar, como se diz por aqui, por cima do charque.

 O campeonato parecia o final perfeito para aquele ano. Bons jogos na primeira fase, e dois gols que nos colocaram na final. Veio a final e, logo de cara, gol meu. Em uma bobeira, no entanto, eles empataram e o jogo ficou no 1 a 1. Vieram os pênaltis e, consciente das minhas limitações, eu já saia de fininho para não efetuar nenhuma das cobranças. O meu desespero foi ver que colocaram meu nome como responsável pelo último pênalti. Até que chegou a temida hora. Se eu fizesse, seguia o baile, com as cobranças alternadas. Se errasse, seria o fim. Ajeitei a bola na marca, me concentrei e… no ângulo. Mas, assim do nada, o juiz se pôs a apitar feito um louco. Na adrenalina, eu esqueci de esperar o apito, e a cobrança teve que ser repetida. E aí? Bater no mesmo canto ou no outro? Seguir chutando no alto? Fui. Bati no mesmo canto, mas em baixo. O goleiro pegou, era o fim.

 Todas as conquistas daquele ano foram embora com aquele chute. Se me perguntarem qual a principal lembrança da 8ª série, digo, sem pestanejar, que é o rosto das gurias na tela que cercava a quadra. Rostos que diziam, “eu sabia que tudo isso era uma farsa”. E era.

 Como diria outro filósofo, Celso Roth, o futebol é assim. Uma derrota, um pênalti não convertido, um gol contra, uma expulsão. Quem sabe uma ajeitada na meia. Quando o assunto é futebol, qualquer deslize pode ser fatal.

 Mas como esse esporte é qualquer coisa de espetacular, o contrário também pode acontecer. Pedro Júnior ou Adriano Gabirú podem fazer o gol do título. Mestre Celso, que sempre foi um bom aluno mas nunca ficou com a loirinha de olhos azuis, pode se redimir de uma carreira pouco mais do que medíocre. Ao contrário de mim, que não poderei voltar até aquele dia na quadra do João Ribeiro e me contentarei com conquistas menores como casar, ter filhos, ou ter uma carreira bem sucedida, Roth segue sendo técnico, segue disputando campeonatos. Agora, ele tem um bom time nas mãos e uma semifinal de Libertadores pela frente. Se vencer, poucos vão lembrar dos erros, dos campeonatos perdidos na reta final. Se perder sobrará apenas o vazio, e a certeza de ter se tornado o que sempre disseram que é, um perdedor.

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Rubinho levou no ** de novo

Publicado: outubro 19, 2009 em Esporte, fotos
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A foto diz tudo. A estrela do Rubinho, que está mesmo bem escondida, não apareceu na tarde de domingo. Mais uma vez, o brasileiro tomou láondevocêsabe, e agora disputará o vice-campeonato com o Vettel.

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A foto obscena foi retirada do site Grande Prêmio e é de Bruno Terena.

Ronquinho básico

Publicado: agosto 21, 2009 em Esporte
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Em Lindolfo Collor um agricultor encontrou um belo passatempo. Para quem gosta de barro e velocidade, sem dúvida uma grande pedida.

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E quem é esse tal de Graxinha? Ora crianças, Graxinha é o treinador do MORRO REUTER no Estadual “bovino” de Amadores. Sim, a partir de agora vocês terão o excelso privilégio de conhecer futebol de verdade, com esta que é a maior competição do universo. Vale lembrar que o Estadual de Amadores tem a inolvidável marca de qualidade e credibilidade da Federação Gaúcha de Futebol, ou seja, Noveletto comanda a boca.

O bom e velho formulismo

O campeonato já contou com a participação de mais de 200 times. Seguindo a tônica das grandes competições, o estadual diminuiu esse número para 11 seletas equipes (as outras não se inscreveram), que se digladiam alucinadamente pelo caneco. Os times são divididos em três chaves. Os dois primeiros se classificam a ainda os dois melhores terceiros colocados. “É mais difícil NÃO se classificar”, lembra o técnico CABEÇA, do Ivoti. As próximas fases são matar ou morrer filhote, quartas, semis e final.

Cartolagens a parte, o que vale é que a competição anda movimentando as principais cidades do país, como Ivoti, Morro Reuter e Lajeado, entre outras. Neste último final de semana foi disputada a quinta de seis rodadas que marcam a primeira fase da competição. E uma coisa ninguém pode negar, são emoções que fariam José Serra ter ataques de euforia.

The best of the bosta

Como o título do post já anuncia, pela chave 1 o Morro Reuter venceu. E não foi uma vitória qualquer. Foi a PRIMEIRA da equipe comandada pelo supracitado treinador Graxinha, e ainda de virada. Os 3 a 2 fora de casa contra o Guaíba deixam a equipe muito próxima da classificação, mesmo com quatro derrotas e apenas uma vitória. Basta somente vencer o Ivoti, o sargento Garcia prender o Zorro, e torcer por derrota do Guaíba contra o Estância. Sobre o outro jogo da chave, entre Estância e Ivoti, não vou fazer comentários. Apenas digo que o Estância perdeu em casa por 2 a 0, classificando antecipadamente o Ivoti. Acrescento ainda as palavras de um cronista de um jornal local sobre o jogo: “A bola não rolou durante 20 minutos, na maior parte do tempo era chutada para fora do estádio”. Não posso deixar de salientar que o maestro do Ivoti é o ex-ASTRO da lateral direita colorada, BARÃO.

Pela chave 2 o atual campeão, Americano, time que me viu desfilar uma habilidade inigualável dos 10 aos 13 anos, venceu fora de casa o Serrano, e carimbou passaporte para a segunda fase. Outro que venceu fora de casa foi Gramadense que tocou o 2 a 0 no Tamoio, em Viamão. Para os gremistas saudosos de um bom lateral, aviso que Itaqui enverga com garbo único a jaqueta do Gramadense. Pela chave 3 um jogo de quatro gols no “estádio” CAMPESTRÃO marcou a rodada. Grêmio Ibirubá e Associação Nova Prata empataram em 2 a 2. Como a chave 3 tem apenas três times, o Lajeadense folgou.

Em tempos de pontos corridos, grandes patrocinadores e transferências milionárias, não há como ficar indiferente a um campeonato que mistura botinadas, bola para o mato, formulismo e mata-mata.

ISSO é futebol.

A classificação completa está em http://www.fgf.com.br/portal/home.php

Overdose de Corinthians

Publicado: dezembro 5, 2007 em Esporte

Depois não sabem porque tantas torcidas se uniram contra o corinthians!

Desde que me entendo por gente e vejo futebol na TV passava as quartas e os domingos vendo jogo do corinthians e ouvindo os jogos do Inter pelo radinho. No dia seguinte às rodadas, ligava a TV pra assistir os gols e comentários da rodada e….só corinthians.

Alguns não entendem mas estamos todos fartos de saber do corinthians de saber o que os mano da fiel estão reinvidicando. A Sport TV teve a cara de pau de transmitir um treino do coringa antes do jogo contra o Grêmio! E o pior era um treino só de movimentação após a viajem…

Após a queda dos paulistas pensei: “Pois bem, agora vão dar um tempo pra cabeça, vamos ficar um tempo sem ouvir falar deles, vão ter que colocar outros jogos, falar de outros clubes”

Que nada! na última semana só se fala no corinthians a BAND fez um especial “curinthia” no domingo depois do jogo e o presidente analfabeto do clube  dá uma entrevista a cada meia hora, só fala bobagem, e mesmo assim, dá-lhe repercussão!

Nunca o português foi tão maltratado quanto nas últimas semanas, acho que antes de presidir um clube de massas como o corinthians o cidadão primeiro devia ter umas aulas. Nada contra os corinthianos. Respeito o clube sua torcida e sua história. Mas esse puxa-saquismo da mídia em busca de pontos no ibope me embrulha o estômago. Com tanta visibilidade fica facil ser uma das maiores torcidas do Brasil!

Por essas e outras que já desejo a terceira divisão para o corinthians. Imagina se ganha a série b ano que vem? Não haverá saco pra aguentar tanta melação!