Retomando o blog!

Publicado: novembro 10, 2012 em Bafos, Desabafos
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Para a retomada do SEM DINHEIRO, um texto escrito na manhã deste sábado.

O velho e a vida

É como se quisesse agarrar um mundo que já não é mais seu. Como se pudesse ter de volta tudo aquilo que foi perdendo pelo caminho por escolha própria. Pequenos grãos jogados na terra que, na época, pareciam migalhas. Hoje, lhe apetecem como o melhor dos manjares.

Inconscientemente, age como se uma mão invisivel tivesse lhe tomado o que tinha, e tenta atribuir a outras pessoas a autoria desse crime brutal. Mas a verdade é que quando vivia aquela realidade ela lhe era tediosa. Quando tinha aquele mundinho nas mãos, ele parecia pequeno, sem graça. Agora ele lhe faz falta.

Ele tem saudade do que foi um dia, deixando de enxergar que para todos nós, os saudosistas, o que passou era bom. O hoje, com as atribulações cotidianas, é sem brilho, é fosco, é sem vida. Mesmo assim segue em frente, com os passos largos abrindo caminho para uma nova vida. Mas o pescoço segue retorcido, o olhar continua no passado.

É como se pensasse que nesse novo caminho que agora trilha encontrará, depois de uma curva, o passado que deixou para trás. As mesmas paisagens, as mesmas pessoas, as mesmas histórias. Quem sabe reencontrar tudo aquilo, rever aquelas fotos, pudesse trazer aquela vida de volta?

O pior de tudo é concluir que este é um caminho que leva direto à insatisfação. Porque os novos objetivos não o colocarão em paz com os antigos sonhos. Não se realiza um sonho com outra conquista. Sonhos são insubstituíveis.

É claro que é possível fazer novos planos, construir uma torre de novos objetivos. Mas não importa quão alta seja essa torre, ela não vai leva-la de volta aos antigos planos. O que deixou de ser feito se foi. São escolhas necessárias.

Desistir de uma meta não significa necessariamente derrota. Um passo para trás pode significar dez passos para frente. Mas se esses passos forem dados com olhos nas costas de nada adianta enfrentar a mais íngreme das subidas. A satisfação não estará lá em cima.

O passado tem uma atração magnética, hipnotizante. “Ah os velhos tempos, aquilo sim era bom…” Como se naquela época não houvesse relógio, frustrações, exigências. Como se tudo aquilo fosse mágico, poético, quase sublime. Pensa-se assim quando, na realidade, aquele foi um período de glórias efêmeras e trabalho árduo.

Não se pode viver de antigas conquistas, como um ex-atleta que passa os dias polindo os velhos troféus. Se as mudanças chegaram, se um novo mundo se descortina, agarre-o como ele realmente é. Com seus problemas, suas frustrações, mas também com a possibilidade de novas realizações. Deixe a vida que se foi ser o que ela é: passado.

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