Hoje foi o dia em que o Rio Grande do Sul comemorou a revolução que perdeu. Foram dez anos de uma guerra sangrenta, onde perdemos milhares de pessoas. Na verdade essa comemoração toda é meio sem sentido, como um patriota sem pátria.
Eu sempre gostei do culto às tradições, achava isso muito bonito. Foi quando me dei conta de que o alardeado amor pelo Rio Grande mascarava um grande número de situações. Esse Estado tem sérios problemas, como corrupção, saúde precária, crianças estudando em um contêiner.
Você pega como exemplo as propagandas do Banrisul, o banco estatal. Enquanto o comercial diz que aquele é o “banco dos gaúchos”, “orgulho de ser gaúcho” e blá blá blá, meia dúzia de gente de dentro do banco e as agências de propaganda sugavam o dinheiro público, superfaturando o trabalho de marketing.
Essa é a síntese ideal do que acontece nesses pagos. E toda vez que alguém levanta esses problemas, surge o discurso do “gaúcho é melhor em tudo”. O povo mais ético, mais educado, mais politizado. Enquanto isso seguimos sendo roubados, votando da pior forma possível. Que esse 20 de setembro seja uma reflexão sobre as necessidades do Rio Grande do Sul, e não mais um momento de ópio coletivo.