Publicado por: alisson coelho | setembro 20, 2010

A revolução que perdemos

Hoje foi o dia em que o Rio Grande do Sul comemorou a revolução que perdeu. Foram dez anos de uma guerra sangrenta, onde perdemos milhares de pessoas. Na verdade essa comemoração toda é meio sem sentido, como um patriota sem pátria.

Eu sempre gostei do culto às tradições, achava isso muito bonito. Foi quando me dei conta de que o alardeado amor pelo Rio Grande mascarava um grande número de situações. Esse Estado tem sérios problemas, como corrupção, saúde precária, crianças estudando em um contêiner.

Você pega como exemplo as propagandas do Banrisul, o banco estatal. Enquanto o comercial diz que aquele é o “banco dos gaúchos”, “orgulho de ser gaúcho” e blá blá blá, meia dúzia de gente de dentro do banco e as agências de propaganda sugavam o dinheiro público, superfaturando o trabalho de marketing.

Essa é a síntese ideal do que acontece nesses pagos. E toda vez que alguém levanta esses problemas, surge o discurso do “gaúcho é melhor em tudo”. O povo mais ético, mais educado, mais politizado. Enquanto isso seguimos sendo roubados, votando da pior forma possível. Que esse 20 de setembro seja uma reflexão sobre as necessidades do Rio Grande do Sul, e não mais um momento de ópio coletivo.

Publicado por: alisson coelho | setembro 19, 2010

Feriadão de planos

Todos os feridos são mais ou menos iguais. Você faz planos do quanto vai aproveitar a folga e das mil e uma coisas que irá colocar em dia. Nesse não foi diferente. Os planos podem incluir viagens, compras, faxinas, ou simplesmente dormir até o corpo doer.

Mas nem tudo sai como o planejado. Na imensa maioria das vezes você acaba fazendo tudo diferente. As vezes para melhor, em outras, para bem pior. Nesse eu consegui a honraria suprema de ter que trabalhar no domingo e na segunda.

Bueno, ao menos deu sol, e eu pude andar pelo gramado da minha casa (dos meus pais) de pés descalços. Ouvi, não sei onde, que isso faz com que as energias sejam liberadas. Não sei se acredito, mas me faz bem.

Agora, as fotos estão feitas. Amanhã é levantar cedo e acompanhar os desfiles em comemoração a revolução que nós gaúchos perdemos. Se o trabalho enobrece o homem, há muito sangue azul escorrendo pelas minhas veias.

Publicado por: alisson coelho | setembro 18, 2010

Para não dizer que não falei de flores

 Então, os aniversários. Gosto deles, especialmente dos das outras pessoas. Até gosto do meu, mas muito mais como uma reflexão pessoal do que uma festa, uma comemoração.

O problema dos aniversários são as pessoas. Seus amigos anotam a data. No início do mês eles pensam, “tenho que lembrar do aniversário do fulano”, e isso se torna mais um problema.

Quando chega ao tal dia, as pessoas precisam cumprir o protocolo, e te felicitar com aquele sorriso… Sabe aquelas modelos sem nenhum talento que fazem pontas na tv? Elas sorriem de uma forma engraçada, sem talento algum para atuar. Esse é o mesmo sorriso que as pessoas que não se importam sorriem quando te felicitam.

E no trabalho? É um suplício! As pessoas fazem a famosa vaquinha pra te comprar algo. Tenha certeza, metade dos que contribuíram fizeram isso porque estavam pressionados por quem está organizando a coisa toda. E as assinaturas? Nenhuma frase, nenhuma felicitação. Apenas um garrancho que você não entende.

Agora existem as redes sociais. Através delas os seus contatos são avisados dos seu aniversário. O mais engraçado é que um monte gente que nem te conhece aparece deixando uma felicitação. A maioria diz apenas “Parabéns, Abraço!” que é a forma mais rápida. As redes sociais criaram um novo protocolo. O pior é que ele é ainda menos humano do que os protocolos já estabelecidos.

Mas, como eu disse lá em cima, eu gosto dos aniversários. Porque no meio de todas aquelas manifestações automáticas, existe uma ou quem sabe duas pessoas que te dá uma felicitação sincera, aquela que diz “eu realmente estou feliz que tu estás bem, e quero tudo de melhor pra ti”. É por essas que os aniversários valem a pena.

Publicado por: alisson coelho | setembro 15, 2010

Ideias, ideias e ideias

“Estou grávido de ideias”, exclamava um exaltado Friedrich Nietzsche ao médico Josef Breuer, em um encontro imaginado por Irvin Yalon no romance Quando Nietzsche Chorou. Li faz alguns meses a obra depois de achá-la por um preço interessante no único sebo de Novo Hamburgo. Algumas semanas depois fui ao cinema ver Inception, excelente filme do também excelente diretor britânico Christopher Nolan.

“Qual é o parasita mais resistente? Uma bactéria? Um vírus? Não. Uma ideia! Resistente e altamente contagiosa. Uma vez que uma ideia se apodera da mente, é quase impossível erradicá-la. Uma ideia que é totalmente formada e compreendida, permanece”.

É assim que o personagem principal, Cobb (Leonardo Di Caprio) descreve a força das ideias na mente humana. O filme é realmente muito bom, e traz uma reflexão que me fez sair zonzo do cinema. Mas não é uma crítica sobre o filme, ou sobre o livro de Irvin Yalon, que quero fazer.

É apenas falar um pouco sobre as ideias, e como elas podem dominar a nossa mente. Toda ação, qualquer coisa, por menor que seja, começa em uma ideia. Elas têm brotado aos montes na minha cabeça. Algumas são estrelas cadentes que riscam a noite da minha mente. Outras, porém, são permanentes, ficam lá martelando, martelando…

Algumas pessoas acham que o melhor de tudo é colocar uma ideia em prática. Na verdade não é. O mais interessante é entender o prazer de ter as ideias. Vê-las surgirem, incipientes, e irem tomando uma forma definida. Ter ideias é uma arte, para alguns uma profissão. Saber ter ideias é uma arte superior. Na realidade a ideia é a primeira arte de todo artista. Uma obra só é realizada depois de uma ideia. Quanto mais acabada e sofisticada for a ideia, mais bela será a obra de arte. Enfim, dá para ficar horas e horas escrevendo sobre as ideias. A intenção do texto, no entanto, é só despertar algumas… ideias.

Publicado por: alisson coelho | setembro 13, 2010

Inicio “auspicioso”

 Semana cheia de atividades e problemas a resolver. O inicio dela, no entanto, preocupa. Segunda-feira chuvosa, de tempo feio. Neste momento, escrevo de um congestionamento monstro na BR 116 entre São Leopoldo e Novo Hamburgo, no sentido Capital – Interior. Foram 20 minutos para percorrer cerca de 3 km. Quem mora próximo da 116 tem que aprender que isso é mais do que comum, principalmente em dias de chuva. Mas vai explicar isso para a minha paciência.

PS: Não havia nada, nenhum acidente, nada. Apenas a fila interminável de carros.

Publicado por: alisson coelho | setembro 4, 2010

Algumas coisas valem mais do que dinheiro

Enquanto subia os mais de 20 degraus que levavam até a porta de dona Lúcia, pensava como podia uma sra de 80 anos morar em um local com um acesso como aquele. Havia dormido tarde na noite anterior, acordado cedo naquela manhã, e estava pregado. Pouco fôlego aos 23/24 anos. Havia falado com aquela simpática sra. por telefone para uma entrevista sobre o iminente casamento dela com seu Eugênio, um jovem de 89 anos.

Ao chegar a sala percebi que só questiona as escadas da casa quem não conhece o casal. Vitalidade baseada em uma vida bem vivida, em um astral sempre nas alturas. Um casal lindo, apaixonado que mostra que viver pode ser uma experiência extraordinária, em qualquer idade. O primeiro resultado daquela entrevista foi que passei a sexta-feira com um sorriso no rosto. O segundo pode ser visto nas páginas do Correio do Povo deste sábado, na capa do caderno Cidades.

O amor é realmente lindo!

PS: Recebi uma ligação na manhã de hoje. Dona Lúcia adorou a matéria e ligou para agradecer. Minha profissão é meio ingrata as vezes, mas sabe recompensar em certos momentos. Essa recompensa não é em dinheiro, mas esse papel é sujo, passa de mão em mão, nem quero mesmo.

PS I: Assim como no Correio do Povo, a história dos noivos é capa da Zero Hora, em matéria da colega Letícia Barbieri.

PS II: Estou convidado para o casamento, pretendo ir.

Publicado por: alisson coelho | agosto 31, 2010

As garrafas encalhadas

 

Talvez eu devesse criar uma série de textos. “Das coisas que eu quero fazer e nunca faço”. Uma das coisas que há um tempo penso em fazer é criar uma rotina de indicações de vinhos neste espaço. Não que eu seja algum grande entendido em matéria de vinhos, sou um amador no sentido mais literal possível da palavra.

Há uns dois meses comecei a guardar as garrafas dos vinhos que eu não conhecia e experimentava. A ideia era, assim que sobrasse um tempo, fazer uma avaliação do vinho e postar aqui. A medida em que os textos entravam no blog, as garrafas saiam da minha estante.

Garrafas começam a despertar afeto pelo tempo que estão na estante

 

O tempo passou e, como se pode ler nas postagens, nenhum único texto foi escrito. Resultado: DOZE garrafas de vinho vazias na minha já abarrotada estante. As garrafas disputam espaço com os livros e com a poeira, que insiste em surgir mesmo depois de uma boa faxina.

Vale lembrar que esses são apenas os vinhos tomados que eu ainda não conhecia, já que figurinha repetida não preenche álbum. O projeto continua, até porque, tem uns argentinos, uns chilenos carmenere, que valem a pena serem indicados. Além dos sudamericanos já citados, alguns europeus, principalmente italianos e portugueses, estão presentes.

Publicado por: alisson coelho | agosto 30, 2010

EU MATO – Giorgio Faletti

 Devo meu amor pela leitura aos romances policiais. Desde pequeno já lia compulsivamente tudo que me caia nas mãos que fosse do gênero. Comecei com uma coleção chamada “Salve-se Quem Puder”, passei por praticamente toda a série “Vagalume”. Na adolescência lia Agatha Christie, Maurice Leblanc, Sidney Sheldon, Morris West, Irwin Shaw, Sir Arthur Conan Doyle… se fosse listar todos, encheria o post inteiro.

Quando fui ficando mais velho resolvi começar a ler os grandes clássicos, e os autores brasileiros. Depois li os sudamericanos, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende, até conhecer a poesia magistral de Pablo Neruda. Depois vieram os romances históricos, a paixão pela história do Brasil, em especial literatura sobre o Regime Militar. Por fim, a faculdade, e os livros sobre comunicação tomaram conta da minha já cheia estante.

A verdade é que a idade me distanciou dos romances policiais. Pois na semana passada vagueava por livrarias sentindo aquele cheiro que traz as melhores lembranças da minha vida. Em Porto Alegre me chamou atenção em uma livraria um livro de capa vermelho intenso, como gotas de sangue. A cor era tão berrante que num instante exitei entre dar uma olhada no volume ou não. Resolvi dar uma olhada, já estava com uma pilha de cinco possíveis compras (das quais a verba só me permitiria levar uma) e dispunha de algum tempo.

“EU MATO”, do italiano Giorgio Faletti não foi lido, foi devorado. Em cinco dias as 534 páginas haviam sido esquadrinhadas freneticamente. A única compra daquele sábado foi uma volta às origens. A trama é elaborada com esmero. São seguidas surpresas que mantêm o leitor em um estado de constante excitação.

E pensar que este é o primeiro livro de Giorgio Faletti...

 

A narrativa se passa em Monte Carlo. Mesmo nunca tendo estado no Principado de Mônaco, era possível ver cada paisagem, sentir o cheiro de cada situação, o calor, a maresia do balneário. Cada instante, cada “cena” é descrito com uma riqueza de detalhes que faz o leitor viajar. Mesmo tendo um bom número de personagens, cada uma delas tem um perfil bem definido.

Sou um, e nenhum. Sou Ninguém.

O assassino tem personalidade. Mais do que isso, tem um intrincada história de vida cujos pedaços vão se agregando ao longo da narrativa. Mesmo as vítimas, seres passageiros no romance policial, têm um rosto, uma história que é contada. São poucos os autores que têm essa deferência com aqueles fadados a serem instrumentos da trama.

Existem heróis? Claro, alguém tinha pegar aquele lunático. Os investigadores, no entanto, são tão humanamente complicados quanto o assassino. O principal deles tem seus próprios esqueletos no armário. Cada noite é uma nova morte. Cada morte, um novo mistério.

Não vou contar a história. O lance é ler. Mas reserve um tempo pra isso, vale a pena. Depois de abrir as páginas de EU MATO, fica difícil parar até que se chegue ao fim. Uma dica. Conhecer a identidade do assassino não é saber o final da história.

Publicado por: alisson coelho | julho 12, 2010

O ocaso de um perdedor

Ser um perdedor não é fácil. Aliás, ser um perdedor é muito mais difícil do que ser um vencedor. Não por acaso, as pessoas buscam tanto o sucesso. E é por isso que jamais esquecerei o ano em que cursei a 8ª série. Vejam bem que aos 14 ou 15 anos o desejo de aceitação no meio em que se vive é enorme. Especialmente a aceitação do sexo oposto, já que essa é uma época digamos… de ebulição dos instintos mais primitivos (JEFFERSON, Bob. 2005)

 Cheguei ao João Ribeiro aos 12 anos para cursar a 6ª série. A escola mantinha turmas apenas até a 8ª, de forma que eu ficaria por lá durante três anos. Nos dois primeiros anos minha estratégia com as colegas se resumiu em manter boas notas e ser um bom menino. Não deu certo eu n ão peguei quase ninguém. Assim, mudar de estilo tornou-se necessário quando cheguei ao último ano tendo dado dois míseros beijos em dois anos. O primeiro passo foi começar a usar um desodorante mais forte, um AXE que minha mãe adjetivou como rançoso, já que nessa idade até dormindo eu suava como um cavalo (especialmente dormindo). As iniciativas incluíram amansar a protuberante juba com alguns quilos de gel, usar calças um número maior e, sempre que possível, burlar a regra de ir sempre uniformizado. Foi necessário tirar notas mais baixas, bem como um recuo estratégico no local de sentar na sala de aula.

 Deu certo. Milagrosamente meu tênis passou da categoria xexelento para estiloso. Comecei a receber cartas cheias de coraçõezinhos, as meninas mandavam me prender na festa junina, mandavam recados pelo sistema de som. Entrei para o grupo de teatro e, inexplicavelmente, ganhei o papel principal. Fui um dos fundadores do grêmio da escola e através dele conheci a verdadeira finalidade do movimento estudantil. Depois de seis meses de desdobres infindáveis, beijei a loirinha de olhos azuis depois da aula. Sim, a vida me sorria. E não era um sorriso qualquer. Era um sorriso de dentes brancos e lábios adolescentes. Naquele ano não faltei nenhum dia de aula. Mais do que isso, frequentava o turno inverso.

 Weber, o piloto australiano não o sociólogo alemão, diria “nada mal para quem sempre foi um segundo piloto”. Realmente, eu não podia acreditar. Parece que as pessoas nem notavam aquele monte de espinha ou o físico assemelhado ao de um grilo. O importante não era ser, mas sim, representar ser.

 Mas, Nietzsche já dizia que ninguém pode fugir de tornar-se quem realmente é. E o ocaso do meu glorioso ano veio no final, com o campeonato inter-séries. Para começar, na minha turma não tinha gente suficiente disposta a jogar. Fui então convidado a jogar por outra, em um claro desvio das regras propostas. Eu não tinha bola para ser reforço de equipe alguma. Muito menos para virar o atacante titular, nem ganhar a camisa 10. Não lembro quais foram os fatores que montaram esse cenário, só me recordo de estar, como se diz por aqui, por cima do charque.

 O campeonato parecia o final perfeito para aquele ano. Bons jogos na primeira fase, e dois gols que nos colocaram na final. Veio a final e, logo de cara, gol meu. Em uma bobeira, no entanto, eles empataram e o jogo ficou no 1 a 1. Vieram os pênaltis e, consciente das minhas limitações, eu já saia de fininho para não efetuar nenhuma das cobranças. O meu desespero foi ver que colocaram meu nome como responsável pelo último pênalti. Até que chegou a temida hora. Se eu fizesse, seguia o baile, com as cobranças alternadas. Se errasse, seria o fim. Ajeitei a bola na marca, me concentrei e… no ângulo. Mas, assim do nada, o juiz se pôs a apitar feito um louco. Na adrenalina, eu esqueci de esperar o apito, e a cobrança teve que ser repetida. E aí? Bater no mesmo canto ou no outro? Seguir chutando no alto? Fui. Bati no mesmo canto, mas em baixo. O goleiro pegou, era o fim.

 Todas as conquistas daquele ano foram embora com aquele chute. Se me perguntarem qual a principal lembrança da 8ª série, digo, sem pestanejar, que é o rosto das gurias na tela que cercava a quadra. Rostos que diziam, “eu sabia que tudo isso era uma farsa”. E era.

 Como diria outro filósofo, Celso Roth, o futebol é assim. Uma derrota, um pênalti não convertido, um gol contra, uma expulsão. Quem sabe uma ajeitada na meia. Quando o assunto é futebol, qualquer deslize pode ser fatal.

 Mas como esse esporte é qualquer coisa de espetacular, o contrário também pode acontecer. Pedro Júnior ou Adriano Gabirú podem fazer o gol do título. Mestre Celso, que sempre foi um bom aluno mas nunca ficou com a loirinha de olhos azuis, pode se redimir de uma carreira pouco mais do que medíocre. Ao contrário de mim, que não poderei voltar até aquele dia na quadra do João Ribeiro e me contentarei com conquistas menores como casar, ter filhos, ou ter uma carreira bem sucedida, Roth segue sendo técnico, segue disputando campeonatos. Agora, ele tem um bom time nas mãos e uma semifinal de Libertadores pela frente. Se vencer, poucos vão lembrar dos erros, dos campeonatos perdidos na reta final. Se perder sobrará apenas o vazio, e a certeza de ter se tornado o que sempre disseram que é, um perdedor.

Publicado por: alisson coelho | janeiro 6, 2010

ano NOVO

Existe um odor acre, de um ranço guardado, que paira no Rio Grande do Sul. Coisa antiga, é bem verdade.Ainda assim, nossa geração não consegue retira-lo. Na realidade, os gaúchos de hoje acham que isso é tradição. Não, não é mesmo. É conformismo com uma situação maquiada. O propagado “orgulho de ser gaúcho” é na realidade uma viseira. Um óculo, uma lente que nos faz enxergar nossa situação de uma forma muito particular. É por isso que, enquanto nossas crianças estudam em contêineres, achamos que somos mais educados que o restante do país. É por isso que, enquanto a cada dia surgem novos escândalos políticos, nós acreditamos que somos os mais politizados, que votamos melhor. INDIGNAÇÃO É isso que nos falta. Olhar criticamente nosso Estado não é desprezar nosso passado. É pensar nosso futuro. E só teremos um futuro se pararmos de aceitar tudo. “É assim desde não sei que época”. Só teremos futuro, se pensarmos. Nossas cabeças pensantes não pensam o Rio Grande do Sul. E se algo pode nos orgulhar, são nossos intelectuais. Mesmo assim, toda essa capacidade é desperdiçada. Nossa política, é a política do ranço, da polaridade. Nossa política é a política do cavalo, que não pode olhar em todas as direções. Se ao menos olhássemos apenas para frente estaríamos em melhor situação. No entanto, olhamos apenas para trás. Nos apegamos em nossas diferenças, e esquecemos do que temos em comum. Não queremos mais construir um Estado, mas sim, vencer adversários. Enquanto nos debatemos com os moinhos de vento, nosso Estado definha. Nossa educação é uma vergonha, nosso acesso ao conhecimento cientifico é mínimo. Então iniciamos um ano novo, um ano eleitoral. E podemos repetir o que fazemos sempre. Polarizar e discutir partidos, governos passados. Mas também podemos iniciar esta nova década com um novo olhar. Um olhar baseado no conhecimento, no pensamento. Um olhar que veja o futuro, que tenha um projeto de união, de construção. Que olhe para os pequenos gaúchos sem querer incutir-lhes o ranço. Que os ensine que pensar é melhor do que brigar. Agregar é melhor do que repartir. Criticar não é destruir. É apontar práticas que nos fazem retroceder. Mais do que isso, é momento de soluções. Que 2010 seja um novo capítulo na história do Rio Grande do Sul. Que seja o ano do conhecimento, da valorização do pensamento crítico. Que seja o ano da construção do nosso futuro.

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